Avaliação dos Planos de Salvaguarda
Publicada em 02-07-2010

Impressão da 1ª reunião de avaliação dos planos de salvaguarda dos patrimônios imateriais do Brasil.

 

Acostumado com as reuniões secas do IPHAN viajei, em maio, para o Maranhão com essa perspectiva. Aí me deparo com o povo do jongo, do tambor de crioula, da viola de cocho, a turma do samba do Rio, as baianas do acarajé, os fazedores e fazedoras de queijo, os tocadores de sino, os devotos do círio, os índios wajãpi, as paneleiras de goiabeiras, as rendeiras, os brincantes do frevo, os detentores da feira de Caruaru, a turma da cachoeira e todos os outros, fantástico. Aí pensei essa é a verdadeira conferência do patrimônio imaterial seremos nós falando de nós mesmos.

 

Acho que dessa vez ficou bem nítido que só assim teremos de fato um plano de salvaguarda concreto, se os detentores participarem de fato da construção desse formato. Por onde tenho andado participando de reuniões, conferências, mesas redondas, seminários etc. ouço sempre dizer que o Ministério da Cultura do Brasil se divide em dois tempos, antes e depois de Gilberto Gil, podemos aí destacar que nessa nova era do MINC que houve a criação da CID, SCC, uma nova forma de gerenciamento da FP, a criação dos colegiados, o CNC e um desejo tímido de mudar a visão do IPHAN com a criação do DPI, tantas outras coisas que ora me esqueço.

 

 

Fiquei sabendo das emoções no final dos trabalhos isso talvez traduza o que  tento dizer é a certeza de que estamos fazendo a coisa certa, percebendo que esse é o formato de convencimento que devemos adotar para encarar a nova era do fazer cultura em nosso país.

O nosso DPI deve ser e será o divisor da história do nosso IPHAN, brevemente ouviremos dizer que o IPHAN tem duas histórias uma antes e a outra depois da criação do nosso DPI.

 

Mas só poderemos realizar isso se tomarmos coragem de ouvir as pessoas, reunir as pessoas, criar o enfrentamento com a velha estrutura de forma branda, mas com  firmeza, com consistência das preposições com o povo na equipe de trabalho. É assim que estamos construindo um novo ministério.

 

“Botei meu barco n’água, mas não falei com meu mestre. O vento deu na proa pancada de noroeste a há”

 

Essa é uma letra de samba de roda que conta a história  de um pescador que não ouviu as ordem do mestre saiu para pescar e enfrentou um vento muito forte. O vento do noroeste é o mais temido no mar. E o resultado, é que aplicando as lições  que o mestre ensinou poderemos sair muito bem das adversidades.

 

É com esse pensamento que me coloco como antes à disposição para a continuidade desse árduo caminho que temos ainda de traçar. Termino com outro samba que é o meu lema: “Por cima do medo coragem”.
 
Rosildo do Rosário
Coordenador Geral da ASSEBA
Fonte: Casa do Samba
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