Um encontro transatlântico, musical e dançante...
Publicada em 24-02-2011

Um encontro transatlântico, musical e dançante...

No fim de semana passado, sábado, 19 de fevereiro e domingo, 20 de fevereiro, aconteceu um encontro na Casa do Samba em Santo Amaro e outros municípios de muitas dimensões culturais, unindo pessoas de várias partes do mundo que queriam conhecer o Samba de Roda do Recôncavo baiano e promover um lindo intercambio musical e dançante entre outros com o grupo Lindigo da Ilha de Reuniao (perto de Madagascar) que veio mostrar o estilo Maloya, uma tradição dos ancestrais africanos, reconhecido também como patrimônio imaterial da humanidade pela UNESCO em 2009.

A programação começou as 17 h na Casa do Samba com a apresentação dos convidados por Rosildo Rosário, diretor-geral da ASSEBA e Katharina Doring (UNEB), pesquisadora e colaboradora da Casa do Samba. A palavra foi passada para Monique Badaró (SECULT-BA, relações internacionais) que apresentou seu convidado especial: Rémy Kolpa Kopoul, jornalista e produtor musical da França, unanimidade reconhecida no cenário da "World Music” (músicas do mundo), que veio para o Recôncavo baiano, para conhecer a diversidade e qualidade musical do Samba de Roda e que promoveu uma conversa aberta sobre "As oportunidades na Bahia para o Mercado da Música na Europa”, no dia 22 de fevereiro, no Sebrae em Salvador.

Em seguida, foi promovida a mostra do filme documentário de Tadeu Mascarenhas como contrapartida a comunidade pel a viagem do grupo Samba Chula de São Braz para o WOMEX 2010 em Copenhague, maior Feira mundial do cenário "World Music”, onde o grupo fez uma linda apresentação, como um dos momentos culminantes da Feira. A viagem, produzido pela Plataforma de Lançamentos e Empreendimentos, contou com o apoio da FUNCEB e do MinC e rendeu convites para o grupo Samba Chula de São Braz para Estados Unidos, Israel, França, entre outros. 

Como ponto culminante dos muitos encontros, todos tiveram oportunidade de participar das lindas apresentações do grupo Samba Chula de São Braz e Dona Nicinha e Raízes de Santo Amaro que se mostraram como sempre na sua melhor forma, encantando o público numeroso e principalmente os músicos do grupo Lindigo que se aventuraram nos seus primeiros passos do samba miudinho com muita elegância.

Quando o Lindigo assumiu o comando do palco, a surpresa foi de todos e todas! Os cantos ancestrais e o ritmo do Maloya contagiaram de tal forma o povo do samba ali presente que dentro de minutos, uma multidão de sambadores, sambadeiras e demais visitantes foi se requebrando em movimentos lindos e bem coordenados, dentro deles muitos elementos das danças para os Orixás cultuados na Bahia. Parecia que os sambadores a vida toda dançavam Maloya! O conhecimento mais profundo  de uma musicalidade ancestral africana passa pelos corpos e corações e se traduziu de imediato numa energia singular e muita emoção!

Essa e outras cenas se repetiram no dia seguinta quando o cortejo internacional foi seguindo para várias comunidades de samba de roda no Reconcavo: 10 h o grupo Lindigo, Monique Badaró e Rémy Kolpa Kopoul foram recebidas por Dona Dalva e seu grupo Samba de Suerdieck em Cachoeira; 13 h pelo grupo Raízes do Acupe no distrito Acupe – Santo Amaro; 16 h pelo grupo Samba de Rapariga e grupo mirim em Saubara na sede da Chegança de Saubara.

Em todas as comunidades a recepção foi calorosa, regada a bebidas e comidas típicas e principalmente a muita música e dança. Os grupos apresentaram seu samba de roda e o grupo Lindigo respondeu na altura com seus instrumentos particulares e artesanais, com seus cantos e ritmos fortes que encantaram, sem exceção todos os sambadores e sambadeiras, visível na emoção dos seus rostos, e na incrível semelhança pelos movimentos executados pelo povo de lá e cá do atlântico negro, que no caso da Ilha de Reunião, na verdade é o Oceano Indico.

No final da tarde de Domingo, todos os convidados, sambadores  e demais participantes voltaram felizes e emocionados por este diálogo musical e cultural que abriu novas portas, amizades e fortaleceu os laços das culturas negras entre matriz e diáspora.

Katharina Doring 

 

 

 

Fonte: ASSEBA
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